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Projeto acústico para escolas de ensino básico: semelhança com as escolas de música é obrigatória?

por / sexta-feira, 05 janeiro 2018 / Publicado em Isolamento acústico

Ensino de música se tornou regularizado por lei, mas os ambientes das escolas de ensino básico ainda não possuem projetos de tratamento acústico ideais como os das escolas de música

Desde 2012 o ensino de música se tornou obrigatório nas escolas brasileiras. A exigência provém da lei nº 11.769, sancionada pelo ex-Presidente Lula, em agosto de 2008, que determina que a música deve ser conteúdo obrigatório em toda a Educação Básica. Longe do objetivo de formar músicos, a lei visa o desenvolvimento da criatividade, integração e sensibilidade dos estudantes.

A música não precisa necessariamente ser uma disciplina exclusiva, ela pode integrar o ensino de arte em uma equipe multidisciplinar que, entre outros profissionais, conta com um professor de música. Dessa forma, as escolas possuem autonomia para definir como o conteúdo será incluído em seus projetos pedagógicos. Apesar de se tratar de uma boa iniciativa, o ensino de música esbarra em alguns déficits organizacionais do Brasil, como professores qualificados para ensinar música e espaços especializados para a educação musical nas escolas.

Seja para ouvir música, cantar ou tocar instrumentos, as adequações acústicas das salas para ensino de música exigem isolamento acústico em relação aos ruídos externos e tratamento acústico interno adequado para manter a qualidade do som. Assim, a qualidade do ensino nas escolas acaba prejudicada por conta dos edifícios degradados, originalmente não projetados para esse fim, o que dificulta a sua adequação.

Isolamento Acústico

A poluição sonora não é exclusividade de regiões industriais. A exposição ao ruído é objeto de estudo de diferentes pesquisas que classificam os níveis sonoros em certos ambientes de acordo com a atividade que é desenvolvida neles.

Segundo a NBR 10152 (1992), os níveis de ruído compatíveis com o conforto acústico em salas de música varia entre 35 a 45 dB . Para respeitar a norma, são utilizadas ferramentas aurais que facilitam as concepções de volume, constrição, e passagem do som. O isolamento acústico se torna essencial para impedir que ruídos externos interfiram no ambiente, proporcionando conforto acústico e beneficiando o desempenho dos alunos.

Projeto acústico em escolas de música

A adequação acústica de ambientes utilizados para produção musical leva em conta a arquitetura como apoio para a aprendizagem. Essa complexidade considera o fenômeno físico associado, como o processamento fisiológico do ouvido humano, além da sua aparência visual . À medida que o som é integrado em projetos arquitetônicos, os ambientes devem ser mais ricos e satisfatórios para responder aos ouvidos e aos olhos dos alunos.

Tratamento acústico de salas de música tem grande importância na forma como o som é propagado

Por conta disso, o tratamento acústico de uma sala destinada à música deve ser adequado para não afetar a maneira como os músicos percebem o som ou tocam suas músicas. As características acústicas de uma sala de música devem preservar as qualidades musicais como intimismo,       definição,   timbre,      balanço    e    o alcance dinâmico. Ainda, devem contribuir também com a plenitude do tom, altura e uma ampla gama do aumento e da diminuição da sonoridade.

Tempo de reverberação (prolongamento dos sons) em salas de música deve ser ideal ao uso

Quando um som é emitido num ambiente reverberante, ele é escutado de forma prolongada, não devendo ser confundido com o ‘eco’. Por isso, o tempo de reverberação pode ser interessante para ambientes com uso de música, mas ao mesmo tempo pode também atrapalhar a audibilidade em ambientes destinados ao uso da fala. Corrigir o tempo decorrido do início do som na fonte até a sua queda em 60 dB (reverberação) faz com que o som não se propague dentro do ambiente nem se reflita voltando para o mesmo ambiente. Ou seja, o tratamento acústico visa impedir que múltiplas reflexões do som em um ambiente causem reverberação.

Materiais e acústica em escolas de música

Essas necessidades de educação musical quanto à frequência e à variedade dinâmica do som são muito maiores quando comparadas com salas de aula convencionais. Determinadas características acústicas são essenciais em uma sala de ensaio, como volume adequado e isolamento acústico.

A adequação de salas de ensino de música exige tratamento acústico apropriado, tanto de isolamento quanto de absorção sonora. Tal adequação deve considerar as necessidades específicas para cada ambiente, que não podem ser encarado uma como sala de aula comum. Afinal, alguns ruídos podem ser transmitidos através de elementos como piso, teto, estrutura da edificação, janelas, portas e pelos sistemas mecânicos, tais como de aquecimento, ventilação e condicionamento de ar, perturbando a atividade nas salas.

Por conta disso, quando um ambiente já foi construído para exercer uma função pré-estabelecida, principalmente para o ensino de música, tornase relevante a avaliação pós‐ocupacional para a verificação do seu desempenho acústico. Possíveis melhorias que possam ser feitas nos elementos construtivos devem levar em conta a escolha dos elementos de vedação mais adequados, além dos detalhes de execução e montagem de cada sistema e suas interferências e interligações com o meio circundante.

Diferenças entre salas de música especializadas e escolas de ensino básico

As exigências de uma sala para aulas de música do ensino básico não diferem daquelas das escolas de música. Entretanto, é usual que as salas de aula utilizadas para outras disciplinas escolares foquem no que é definido como inteligibilidade da fala para que o discurso do professor seja entendido corretamente.

Entre os problemas enfrentados pelas escolas brasileiras, está a carência de forros especiais ou cortinas. Usados adequadamente, materiais simples como esses reduzem significativamente a reverberação que provém do confinamento do espaço e das superfícies duras, que refletem os tons. Essa reverberação em espaços apertados e sem os materiais adequados pode embaralhar os sons e, consequentemente, atrapalhar a clareza da voz do professor. Isso dificulta a concentração dos estudantes e também seu aprendizado.

Quando os ambientes são revestidos por materiais que absorvem muito o som, os modelos musicais acabam sendo ouvidos no volume máximo dos aparelhos de som, o que faz com que professores e estudantes aprendam os tons em seu limite de intensidade instrumental ou vocal.

Para otimizar a educação musical, é preciso considerar a audição, a prática, a interpretação e a criação musical. A obrigatoriedade da semelhança dos projetos acústicos para escolas do ensino básico deve ser discutida e, quando possível, aplicada, levando em consideração que o principal objetivo da educação musical é a ampliação da capacidade auditiva dos alunos. Esse aprendizado também inclui a percepção dos sons projetados no ambiente e na forma como os ambientes respondem aos sons. Na ausência de um ambiente adequado, a ajuda do professor se torna ainda mais imprescindível para que os estudantes não sejam prejudicados.

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